
Rãmlet Soul aproxima-se de uma jam session para os palcos. É espetáculo de concisão extravagante e improviso condicionado.
Esse Rãmlet explode em conjecturas novas pela orgia de todos. Rãmlet, com o acento brasileiro, não é máquina, como no original de Heiner Müller, mas puro Soul, quadril negro do remelexo universal. Também não é Shakespeare, mas uma reverberação do mito da Consciência, de Hamlet, que dialoga com a malícia e com a intuição, elementos da latinidade.
Assim, Rãmlet Soul surge como espetáculo para ser apresentado em teatro-galpão onde atores, músicos, performers e artistas multimídia promovem, junto com o público, uma rave teatral, o teatro-festa.
A partir da poética de integração teatral das mídias, o Teatro, nesse trabalho coletivo, vem como ponto de convergência do pensamento festivo da cidade; como epicentro do encontro de público diversificado, interessado por mídias diversas que se entrecruzam: público mais amplo do que o que costuma frequentar as salas de teatro.
Rãmlet Soul busca estreitar os laços e redimensionar o lugar do teatro como promotor de encontros e bens sociais, que dialogam com a cidade, situando-se como ágora democrática em meio à programação das diversões em Fortaleza.

O objetivo geral de Rãmlet Soul é, em suma, o de um teatro que concorra com a vida. Propõe um novo eixo de percepção cultural, aberto à participação criativa do público durante as apresentações do espetáculo, fazendo disso sua mensagem poética e política.
O Teatro Rave
O Teatro-Rave vem como uma zona de cruzamento de mídias diversas, desde as tecnologias contemporâneas (sonoras, iluminação, de vídeo) àquelas mais tradicionais e engastadas em nossa formação cultural, transformando o teatro-galpão em um terreiro eletrônico, para ritualização da vida. O Teatro-Rave é a um só tempo um show ensaiado e orientado, mas também aberto às intervenções criativas do público. Temos, aí, o ator como um arauto, sacerdote secular, um agenciador de mídias e pulsões coletivas (dentre as quais, as suas próprias).
Durante o processo criativo, o novo é aproveitado a todo instante. A ópera mínima de cada um – trazida pelo público e pela equipe técnica – é a rave íntima, que se celebra coletiva na materialização do espetáculo.
O Teatro-rave é a respiração democrática do corpo da cidade. É a capacidade da multidão (indivíduos, instintos, habilidades, interesses em contato) reunir-se para trocas sociais e criativas. Semeia-se, assim, a idéia de o teatro como espaço democrático, como evento de vida, comprometido com a organização social (material e mítica) de sua cidade.
Aqui não há representação, mas vivência direta.
