segunda-feira, 6 de julho de 2009




Rãmlet Soul aproxima-se de uma jam session para os palcos. É espetáculo de concisão extravagante e improviso condicionado.

Esse Rãmlet explode em conjecturas novas pela orgia de todos. Rãmlet, com o acento brasileiro, não é máquina, como no original de Heiner Müller, mas puro Soul, quadril negro do remelexo universal. Também não é Shakespeare, mas uma reverberação do mito da Consciência, de Hamlet, que dialoga com a malícia e com a intuição, elementos da latinidade.

Assim, Rãmlet Soul surge como espetáculo para ser apresentado em teatro-galpão onde atores, músicos, performers e artistas multimídia promovem, junto com o público, uma rave teatral, o teatro-festa.

A partir da poética de integração teatral das mídias, o Teatro, nesse trabalho coletivo, vem como ponto de convergência do pensamento festivo da cidade; como epicentro do encontro de público diversificado, interessado por mídias diversas que se entrecruzam: público mais amplo do que o que costuma frequentar as salas de teatro.

Rãmlet Soul busca estreitar os laços e redimensionar o lugar do teatro como promotor de encontros e bens sociais, que dialogam com a cidade, situando-se como ágora democrática em meio à programação das diversões em Fortaleza.





O objetivo geral de Rãmlet Soul é, em suma, o de um teatro que concorra com a vida. Propõe um novo eixo de percepção cultural, aberto à participação criativa do público durante as apresentações do espetáculo, fazendo disso sua mensagem poética e política.

O Teatro Rave

O Teatro-Rave vem como uma zona de cruzamento de mídias diversas, desde as tecnologias contemporâneas (sonoras, iluminação, de vídeo) àquelas mais tradicionais e engastadas em nossa formação cultural, transformando o teatro-galpão em um terreiro eletrônico, para ritualização da vida. O Teatro-Rave é a um só tempo um show ensaiado e orientado, mas também aberto às intervenções criativas do público. Temos, aí, o ator como um arauto, sacerdote secular, um agenciador de mídias e pulsões coletivas (dentre as quais, as suas próprias).

Durante o processo criativo, o novo é aproveitado a todo instante. A ópera mínima de cada um – trazida pelo público e pela equipe técnica – é a rave íntima, que se celebra coletiva na materialização do espetáculo.

O Teatro-rave é a respiração democrática do corpo da cidade. É a capacidade da multidão (indivíduos, instintos, habilidades, interesses em contato) reunir-se para trocas sociais e criativas. Semeia-se, assim, a idéia de o teatro como espaço democrático, como evento de vida, comprometido com a organização social (material e mítica) de sua cidade.

Aqui não há representação, mas vivência direta.


3 comentários:

Danilo Castro disse...

Li a matéria no "O Povo"
Estou curioso, até sexta.

Chico Paiva disse...

Lora...
Adorei. Coloquei até no meu blog zumbi... hehe
Cheiro

Peixes em peixes disse...

Gatagatagata
adorei este espaço aqui, volto com calma mais vezes, beijão.